Russell disse

Russel

O QUE DEVEMOS FAZER

Devemos apoiar-nos em nossos próprios pés e olhar o mundo honestamente – as coisas boas, as coisas más, suas belezas e suas fealdades; ver o mundo como ele é, e não temê-lo. Conquistar o mundo por meio da inteligência, e não apenas abjetamente subjugados pelo terror que ele nos desperta. Toda a concepção de Deus é uma concepção derivada dos antigos despotismos orientais. É uma concepção inteiramente indigna de homens livres. Quando vemos na igreja pessoas a menosprezar a si próprias e a dizer que são miseráveis pecadores e tudo o mais, tal coisa nos parece desprezível e indigna de criaturas humanas que se respeitem. Devemos levantar-nos e encarar o mundo de frente, honestamente. Devemos fazer do mundo o melhor que nos seja possível, e se o mesmo não é tão bom quanto desejamos, será, afinal de contas, ainda melhor do que esses outros fizeram dele durante todos estes séculos. Um mundo bom necessita de conhecimento, bondade e coragem; não precisa de nenhum anseio saudoso pelo passado, nem do encarceramento das inteligências livres por meio de palavras proferidas há muito tempo por homens ignorantes. Necessita de esperança para o futuro, e não de passar o tempo todo voltado para trás, para um passado morto, que, assim o confiamos, será ultrapassado de muito pelo futuro que a nossa inteligência pode criar.
Trecho do ensaio de Bertrand Russell, publicado em 1957, e que dá nome ao seu livro Por que não sou cristão.
***
Vez ou outra trarei trechos de alguns pensadores que, creio eu, são pouco conhecidos pelo público em geral. Desta vez lhes apresento Bertrand Russell, grande filósofo, lógico e matemático do século XX. Seu grande mérito foi ser um dos poucos filósofos que possuiu uma visão mais ampla do conhecimento e percebeu, logo cedo, que abordar qualquer que seja o assunto por métodos e teorias únicas nos faz perder a noção da totalidade que o envolve.
Diria que as palavras de Russell são carregadas de um apelo pela liberdade, não somente do pensamento mas da ação e do ser. Abdicar deste triunfo humano seria o mesmo que sustentar uma visão de mundo já bastante ultrapassada e onerosa para nossa sociedade, ou, como disse um dia o escritor e livre pensador norte-americano Lemuel Washburn, permitir que a mão dos mortos continuem esganando nossas gargantas.
Penso que o convite de Russell para que levantemos e encaremos o mundo de frente, honestamente, é quase um sopro de desapego aos dogmas religiosos ainda sustentados por mentes juvenis que não atingiram a idade da razão. Adoraria que fosse diferente mas me sinto inclinado a afirmar que tendemos ao contrário, basta ver as discussões que ainda rondam nosso cotidiano sobre homoafetividade, aborto, laicidade, células-tronco e mais um monte delas que, caso estivessem livres nossas gargantas, teríamos resolvido –ou pelo menos avançado bastante na discussão– já há um bom tempo.
Encerro esse post reiterando a assertiva de Russell que, sem sombra de dúvidas, deveria ser disseminada com tanto vigor quanto insistem em escondê-la:
“Um mundo bom […] necessita de esperança para o futuro, e não de passar o tempo todo voltado para trás, para um passado morto, que, assim o confiamos, será ultrapassado de muito pelo futuro que a nossa inteligência pode criar”.
Anúncios
Russell disse

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s