Cordel em homenagem ao geógrafo Milton Santos

Ao mestre com carinho

HOMENAGEM AO GEÓGRAFO MILTON SANTOS

I

Peço a Deus, pai soberano
Que me dê inspiração
Para homenagear
Esse nobre cidadão
O baiano Milton Santos
Pensador da imensidão…

II

No ano de vinte e seis (1926)
3 de maio foi o dia
Na Chapada Diamantina
Interior da Bahia
Em Brotas de Macaúbas
Que o mestre então nascia.

III

As estrelas nesse dia
Decidiram seu destino
E anunciaram então
Todo brilho do menino
Que seria um geógrafo
De grandeza e muito tino.

IV

Família de classe média
De beleza e valores
Pois seu pai e sua mãe
Eram então dois professores,
Belo referencial
Para grandes vencedores.

V

O exemplo da família
Foi seu referencial
Pra que ele se tornasse
O grande intelectual:
Um exímio professor
De fama internacional.

VI

Aos dez anos de idade
Em Salvador foi morar
Logo que prestou exame
Veio o primeiro lugar
No Instituto Baiano
Onde começou a brilhar.

VII

No seu curso secundário
Ele segue o bom roteiro
Brilhando como estudante
E ali foi pioneiro
Dirigindo dois jornais:
“O Farol” e o “Luzeiro”.

VIII

Ingressou na Faculdade
De Direito, em Salvador.
Na política estudantil
Ele mostra o seu valor
Sendo vice presidente
Com seu gênio criador.

IX

Já formado pela UFBA (1948)
Sua sorte foi lançada
Começou a lecionar
Sem tirar o pé da estrada
Ganhando notoriedade
E a brilhar na sua jornada.

X

Milton nunca se afastou
Da luz do conhecimento
Correspondente de “A Tarde”
A mostrar o seu talento.
E a publicação de um livro
Sempre no seu pensamento…

XI

Veio então esse momento
Em que ele estreou
Com “ A Zona do Cacau” (1955)
E daí não mais parou…
A chama tornou-se acesa
E o seu brilho aumentou.

XII

Lecionando em Ilhéus
Milton Santos se casou
Com Jandira Silva Rocha
E com ela então gerou
Milton Filho – o primogênito
A quem muito ele amou.

XIII

A produção não parou
Na vida desse avatar
Doutorado em Estrasburgo (1956)
Pode então realizar
E ali também na França
Onde fora lecionar.

XIV

Viajando pela África
E Europa em sua missão
Ele publicou um estudo
Nos anos sessenta então:
“Mariana em Preto e Branco” (1960)
De grande repercussão

XV

Logo após o doutorado,
Uma tese de valor
Que se chama “O Centro da
Cidade do Salvador”. (1958)
Daí, retorna à Bahia
No ofício de professor.

XVI

Funda aqui o “Laboratório
De Geomorfologia
E Estudos Regionais” (1959)
Numa grande parceria
Na então Universidade:
A Federal da Bahia.

XVII

Na capital da Bahia
Ele segue a lecionar
Criando bom ambiente
Com o dom de congregar
Intelectuais baianos
Para um novo limiar.

XVIII

Com o Golpe Militar (1964)
Foi detido e exilado,
Mas na França teve abrigo
Onde fora convidado
Para lecionar em Toulouse
Sendo ali admirado.

XIX

Depois segue a Bordeaux
Como um grande menestrel,
Conhece Marie-Hèlene
Segunda musa fiel
Se casa com ela e nasce
O seu filho Rafael.

XX

Não cabe neste cordel
Toda a sua imensidão
Porque Milton Santos é
O universo em expansão.
Sua história é tão vasta
Que eu resumiria então!

XXI

E assim, diante mão
Falo dos anos setenta
Um período muito fértil
Em que ele realimenta
Um giro pelo estrangeiro
E o conhecimento aumenta.

XXII

Foi às universidades
Colorir a sua aquarela.
Estudou e pesquisou
No Peru e Venezuela
Depois Estados Unidos:
Massachusetts – a janela!

XXIII

Na Columbia, em New York,
Foi professor convidado
Em Caracas e Toronto,
O mestre foi aclamado;
Sem falar lá na Tanzânia
Nas terras do seu “passado”!

XXIV

Incontáveis os lugares
Por onde Milton passou.
Fecunda reflexão
Ele nos proporcionou
E a cada lugar que esteve
Sua semente ele plantou.

XXV

Milton manteve o olhar
Nos caminhos sociais…
Para interpretar o mundo
Foi um mestre bem sagaz
Que partiu da Geografia
Aos temas universais.

XXVI

Sua vida foi marcada
Pelo reconhecimento.
Com o “Prêmio Vautrin Lud” (1994)
Provou todo o seu talento:
O Nobel da Geografia
Um justo coroamento.

XXVII

Várias dezenas de livros
Milton Santos escreveu…
“Natureza do Espaço”
Belo prêmio lhe rendeu:
O famoso “Jabuti”
Que o Brasil lhe concedeu.

XXVIII

O seu posicionamento
Era crítico e atual,
Viu a globalização
Como algo desigual:
Monstruosa e perversa,
Distante do social.

XXIX

Era um intelectual
Muito mais que antenado…
Do capitalismo vil
Era então desconfiado
Além do espaço urbano
Que pra ele era sagrado.

XXX

O “Doutor Honoris Causa”
Título de grande honraria
A ele fora outorgado
Não somente na Bahia:
No Brasil e no estrangeiro
Em nome da Geografia.

XXXI

Em vinte e quatro de junho
Do ano dois mil e um
Milton Santos nos deixou
E nas asas de Olorum
Prosseguiu sua missão
Numa estrela incomum…

XXII

Quisera eu prosseguir
Nesse singelo labor
De biografar o geógrafo
Cientista, professor…
Mas aqui é um resumo
Pelas trilhas do amor…

FIM

Salvador, maio de 2014.

por Antonio Barreto

Fonte: BarretoCordel

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